Desabafo: desrespeito no cartório

É de lei!

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Tatiane Bertolino*

Na sexta-feira (20/01/2012) estive no 11° Tabelionato de Notas – Av. Otávio Mangabeira, 6929 – Boca do Rio Salvador-BA – às 14h35min e o estabelecimento estava fechado. Estavam do lado de fora várias pessoas indignadas com o fechamento. Perguntei a um senhor que estava lá dentro o porquê de o cartório estar fechado em uma sexta-feira às 14h35, se o mesmo teria que ficar aberto até as 15h. Esse senhor me respondeu que não sabia e que recebeu ordens para fechar. Perguntamos a ele se poderia pedir alguma explicação a um superior seu, pois éramos mais de 30 pessoas aguardando do lado de fora. Eu mesma só queria pedir uma informação, pois tentei ligar a manhã inteira e o telefone chamava e ninguém atendia. Como era muito importante, resolvi ir pessoalmente ao local.

Depois de muito insistir o senhor falou: “Meu superior mandou fechar. Eu só recebo ordens”. Ficamos todos revoltados, mas como isso pode acontecer? Como esse “superior”, cujo salário somos nós que pagamos, pois os cartórios e tabelionatos de Salvador não são privatizados, simplesmente resolve fechar? Ligamos para uma delegacia de polícia e a recepcionista (por sinal muito educada), nos respondeu que a polícia não podia intervir, por ser um estabelecimento público. Mas mandou dois policiais averiguar o porquê do fechamento. Agradeço a mesma por isso.

Os policiais chegaram ao local e se surpreenderam com o ocorrido. Explicamos o acontecido e os mesmos pediram para entrar para averiguar e nos informar. Dentre as pessoas que aguardavam, havia uma senhora que tentava – já há uma semana - reconhecer a firma em um documento para matricular a filha numa faculdade e não conseguia. Mesmo já tendo ido às 6h30 da manhã, não conseguia pegar senha de atendimento. 

Depois de muita espera, os policiais retornaram e nos disseram que o responsável fechara o estabelecimento por ter atendido a todas as senhas distribuídas naquele dia. Mesmo admitindo que, realmente, era um absurdo, não podiam fazer nada. Obrigada, policiais, fizeram o possível.

Se um estabelecimento público mantido por nós, cidadãos, não tem a mínima consideração conosco, o que devemos fazer? Aceitar? Se terminaram de atender a todos que tinham senhas, 40 minutos antes de terminar o expediente, o certo não seria atender às pessoas que aguardavam? Colocar um aviso na porta seria o mínimo. ESQUECI… ERA SEXTA-FEIRA! Incrível, quando me falavam eu não acreditava, mas isso só acontece na Bahia. Acordem gente! São vocês que pagam por isso, são vocês que pagam o salário do servidor público. Lutem por seus direitos. Se cada vez que acontecer algo assim houver alguma reclamação, com certeza nossos “SUPERIORES” vão tomar alguma atitude. Só espero que a atitude tomada seja melhor do que a do responsável por esse TABELIONATO. (Não fiquei surpreendida ao entrar na internet e ver que tem várias reclamações e até mesmo um video sobre esse estabelecimento “público”).

*Tatiane Bertolino é leitora do À Queima Roupa

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Sobre o Autor

Jaciara Santos (jaciara@aqueimaroupa.com.br) é sergipana de Aracaju, mas atua como jornalista profissional em Salvador-BA, já há quase três décadas. Foi repórter, chefe de reportagem, pauteira, editora de Cidade, Política e Economia, colunista e subeditora de Segurança. Premiada duas vezes no extinto concurso de reportagens da Associação Bahiana de Imprensa, em 2003 conquistou também o prêmio Banco do Brasil na categoria reportagem por uma série de matérias sobre a ação dos grupos de extermínio na Bahia.